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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008



CAETANO VELOSO - Caetano Veloso (1971)


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O baiano Caetano Emanuel Viana Telles Veloso nasceu em Santo Amaro da Purificação em 07 de agosto de 1942. Com pouco mais de 4 anos de idade, já compunha "A Tua Presença Morena", revelando seus dotes artísticos.
Sua trajetória musical começou, realmente, quando se mudou com a família para Salvador no início dos anos 60. A capital baiana vivia um momento de efervescência cultural e Caetano aproveitou sua paixão pela música e pela bossa nova de João Gilberto e começou a tocar em barzinhos da cidade. Foi em Salvador, também, que Caetano conheceu o parceiro Gilberto Gil. Nesse período, também, conheceu Gal Costa e Tom Zé, futuros componentes da Tropicália.
Mais do que um músico, o baiano Caetano Veloso é um agitador cultural. Suas propostas docemente anarquistas, desde aquela canção que dizia "caminhando contra o vento / sem lenço, sem documento" (1967) quando o País estava dominado pela ordem unida militar, mexeram com a juventude dos anos 60, 70, 80 e seguem viçosas e inquietantes nos anos 90. Depois daquela Alegria Alegria de 1967, logo no ano seguinte Caetano radicalizou, apresentando no Festival da Record uma canção que valia por um manifesto: Proibido proibir.
Mesmo vaiada, a canção marcou e provocou o primeiro de muitos discursos de Caetano contra a incompreensão e o autoritarismo da platéia ou dos críticos. Nesse mesmo ano, 1968, ele, ao lado de Gilberto Gil, do maestro Rogério Duprat, Gal Costa, Torquato Neto e Os Mutantes, lançou o disco que foi o ponto de partida de um movimento de renovação musical e cultural: Tropicália - origem do Tropicalismo. OBrasil camavalizado ou circense dos tropicalistas não coincidia nem um pouco com aquele que os militares estavam tentando impor. O movimento ou a atitude que ele induzia se estendeu às artes plásticas, ao teatro, à moda, à literatura. Um episódio confuso envolvendo declarações que Caetano e Gil teriam feito sobre a bandeira nacional durante o show Proibido proibir (dezembro de 1968) foi o motivo queos militares encontraram para mantê-los presos, incomunicáveis por 45 dias, e depois exilá-los em Londres. Voltaram em 1972 e no ano seguinte Caetano já dividia a crítica com um disco experimental: Araçá azul. Sempre inquieto, questionou o machismo brasileiro, cantou a liberdade dos costumes, vestiu roupas que chocaram os conservadores. Restaurou o alegre costume de compor músicas para o carnaval.
A ousadia continua sendo uma marca registrada de Caetano.
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Faixas:
01 - A Little More Blue
02 - London, London
03 - Maria Bethânia
04 - If You Hold A Stone
05 - Shoot Me Dead
06 - In The Hot Sun Of A Christmas Day
07 - Asa Branca
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

TROPICALIA OU PANIS ET CIRCENSIS



O Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Seus participantes formaram um grande coletivo, cujos destaques foram os cantores-compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das participações da cantora Gal Costa e do cantor-compositor Tom Zé, da banda Mutantes, e do maestro Rogério Duprat. A cantora Nara Leão e os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus principais mentores intelectuais.
Os tropicalistas deram um histórico passo à frente no meio musical brasileiro. Ao unir o popular, o pop e o experimentalismo estético, as idéias tropicalistas acabaram impulsionando a modernização não só da música, mas da própria cultura nacional.
Sincrético e inovador, aberto e incorporador, o Tropicalismo misturou rock mais bossa nova, mais samba, mais rumba, mais bolero, mais baião. Sua atuação quebrou as rígidas barreiras que permaneciam no País. Pop x folclore. Alta cultura x cultura de massas. Tradição x vanguarda. Essa ruptura estratégica aprofundou o contato com formas populares ao mesmo tempo em que assumiu atitudes experimentais para a época.
Discos antológicos foram produzidos, como a obra coletiva Tropicália ou Panis et Circensis.
Irreverente, a Tropicália transformou os critérios de gosto vigentes, não só quanto à música e à política, mas também à moral e ao comportamento, ao corpo, ao sexo e ao vestuário. A contracultura hippie foi assimilada, com a adoção da moda dos cabelos longos encaracolados e das roupas escandalosamente coloridas.
O movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos.
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