01 - World War III
02 - Living
03 - Roots Foundation
04 - Get on Up
05 - Dancing Mood
06 - Time Alone Will Tell
07 - Suffering
08 - Love Jah With All of My Heart
09 - Green Bay Killing
10 - We Can Work It Out
BIG YOUTH - Ride Like Lightning (The Best Of Big Youth 1972-1976)
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CD 01
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Faixas:
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01 - $.90 Skank
02 - Can You Keep A Secret
03 - Dubble Attack
04 - Opportunity Rock
05 - Mooving Version
06 - Cool Breeze
07 - Dock Of The Bay
08 - Big Fight
09 - Foreman Vs. Frazier
10 - A So We Say
11 - Chucky No Lucky
12 - Waterhouse Rock
13 - Half Ounce
14 - Medicine Doctor
15 - Facts Of Life
16 - ABC
17 - Screaming Target
18 - Concrete Jungle
19 - The Killer
20 - The Killer Version
21 - Pride & Joy Rock
22 - One Of These Fine Days
23 - Keep Your Dread
24 - Tell It Black
25 - Phil Pratt Thing
01 - Give Praises
02 - Plead I Cause
03 - Hap Ki Do
04 - Riverton City
05 - Weeping In The Night
06 - Reggae Phenomenon
07 - Natty Cultural Dread
08 - I Light & I Salvation
09 - Dread High Ranking
10 - Wolf In Sheep's Clothing
11 - Wolf In Sheep's Clothing (Version)
12 - Jim Squeechy
13 - Every Nigger Is A Star
14 - Ten Against One
15 - Hell Is For Heroes
16 - Hit The Road Jack
01 - Hurting Inside
02 - Green Bay Killing
03 - Suffering A The Poor Man Cry
04 - Truth And Rights
05 - Progress
06 - Pope Paul Feel It
07 - African Do Deh
08 - Red Dress Lady
09 - The Fullness Thereof
10 - Stepping Out A Babylon Link para download: https://mega.nz/#!n9hwzLKZ!4lPRPgWyhnnSFMTfR--dpDu-a7futuVCopbavm2eaJc
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
BIG YOUTH - Natty Universal Dread -
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CD 01 - Hot Stock 1973
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Faixas:
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01 - Chucky No Lucky
02 - Waterhouse Rock
03 - Hot Cross Bun
04 - River Jordan
05 - Children Children
06 - Mr. Buddy
07 - Hot Stock
08 - Downtown Kingston Pollution
09 - Hell Is For Loves
10 - African Daughter
11 - Things In The Light
12 - Sky Juice
13 - Not Long Ago
14 - Is Dread In A Babylon
15 - I Pray The Continually
16 - Streets In Africa
01 - Give Praises
02 - Mama Look
03 - Reggae Phenomenon
04 - Battle Of The Giants, Part 1 (Feat. U-Roy)
05 - Battle Of The Giants, Part 2 (Feat. U-Roy)
06 - Plead I Cause
07 - Hip Ki Do
08 - Riverton City
09 - Love And Happiness
10 - Weeping In The Night
11 - Every Nigger Is A Star
12 - My Time
13 - Natty Universal Dread
14 - Jim Screechy Link para download: https://mega.nz/#!SxYEyChD!28gFJKh1S4jYDOlFv8fbNKkLNiXYBp313dCrso0gLuo
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CD 03 - Hotter Fire 1975-1979
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Faixas:
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01 - Messiah Garvey (Extended)
02 - Wolf In Sheep Clothing (Version 1)
03 - Wolf In Sheep Clothing (Version 2)
04 - Keep Your Dread
05 - I Light And I Salvation
06 - Hit The Road Jack
07 - Keep On the Jack (Feat. Leroy Smart)
08 - Jah Man Of Syreen
09 - Dread High Ranking
10 - Hotter Fire
11 - Miss Lou Ring A Bing
12 - Same Something
13 - Dread Is the Best
14 - Ten Against One
15 - River Boat
16 - Sugar, Sugar (Feat. Junior Byles)
17 - The Wise Sheep
18 - Jah Jah Love Them (Extended)
19 - The Upful One
20 - Can't Take Wah Happen On A West
21 - Political Confusion
BIG YOUTH WITH LLOYD PARKS & WE THE PEOPLE BAND - Jamming In The House Of Dread
Faixas:
01 - I Pray Thee
02 - Every Nigger Is A Star
03 - Jim Squeechy
04 - House Of Dread
05 - Things Friend
06 - Ten Against One
07 - Hit The Road Jack (Tribute To Bob, Peter, Bunny)
01 - Give Praises
02 - Please I Cause
03 - I Am Your Man
04 - Hip-Ki-Do
05 - Riverton City
06 - It's Not Usual
07 - Papa Was A Rolling Stone
08 - Love And Happiness
09 - Weeping In The Night
10 - Reggae Phenomenon
11 - Get Up Stand Up
12 - Notty No Jester
13 - Johnny Reggae
14 - Hit The Road Jack
15 - Phil Pratt Thing
16 - Wolf In Sheep's Clothing
17 - Facts Of Life
18 - Tell It Black
19 - Mammy Hot Daddy Cool
20 - Dread In A Babylon
Drums: Santa Davis Bass: Fully Fullwood Lead Guitar: Chinna Rhythm Guitar: Tony Chin Keyboards: K. McLeod Tenor Saxophone: Glen Da Costa Trumpet: David Madden & Arnold Breckenridge Trombone: Vin Gordon Alto Saxophone: Deadly Headly Percussions: Big Youth, Skully & Keith Sterling Harmonica: Jimmy Becker Arranger: Big Youth Mixing Engineer: Big Youth & Sylvan Morris Engineer: Sylvan Morris Studio Recording: Harry J (Kingston, JA) -
Faixas:
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01 - Inside Out
02 - Camp David Summit
03 - New Moon
04 - Tribute To Kenyatta
05 - Colour Red
06 - Progress(Part Two)
07 - Majority Rules
08 - Fulfilment -
01 - World In Confusion
02 - Writing On The Wall
03 - Zion
04 - Isaiah First Prophet Of Old
05 - Lord Jah Bless
06 - Reaping Time
07 - Love We A Deal With
08 - Upful One
Backing Vocals: Gregory Isaacs & The Tamlins Drums: Santa Davis Bass: Fully Fullwood Lead Guitar: Chinna Rhythm Guitar: Tony Chin Keyboards: K. McLeod Piano: Wire Lindo Synthesiser: Wire Lindo Organ: Ibo Cooper & Winston Wright Alto Saxophone: Headley Benett Harmonica: Jimmy Becker Percussions: Big Youth, Skully & Sticky Clavinet: Wire Lindo & Ibo Cooper Mixing Engineer: Sylvan Morris & Big Youth Engineer: Sylvan Morris & David Hamilton Producer: Big Youth Studio Recording: Harry J (Kingston, JA)
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Faixas:
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01 - Living
02 - Rock Holy
03 - Love Jah Jah With All My Heart
04 - Many Moods Of Big Youth
05 - Get On Up
06 - We Can Work It Out
07 - Time Alone Will Tell
08 - Dancing Mood
09 - Bang Dibo
01 - Train To Rhodesia
02 - House Of Dread Locks
03 - Lightning Flash (Weak Heart Drop)
04 - Natty Dread She Want
05 - Some Like It Dread
06 - Marcus Garvey Dread
07 - Big Youth Special
08 - Dread Organ
09 - Black Man Message
10 - You Don't Care
11 - Moving On
- Faixas: - 01 - What's Going On? 02 - Hit The Road Jack 03 - Wake Up Everybody 04 - Get Up Stand Up 05 - Jah Man Of Syreen 06 - Ten Against One 07 - Hotter Fire 08 - The Way Of The Light 09 - Dread High Ranking 10 - Dread Is Best 11 - Hit The Road Jack (Version) 12 - Touch Me In The Morning 13 - Keep Your Dread 14 - Love The Way You Love 15 - The Day I Laid My Eyes On You 16 - I Light And I Salvation - Link para download: http://www.mediafire.com/?mgyxyjgdude
domingo, 4 de outubro de 2009
BIG YOUTH - Manifestation -
- Faixas: - 01 - No Nukes 02 - Love Fighting So 03 - Turn Me On 04 - Mr. Right 05 - Like It Like That 06 - Conqueror 07 - Spiderman Meet The Hulk 08 - No Way To Treat A Lady - Link para download: http://www.mediafire.com/?3zowuq0uuw0
sexta-feira, 19 de junho de 2009
BIG YOUTH(2ª e última parte) -
Agora, penso que os produtores conspiram para me apanharem. O único truque que resulta em música é ter a boa promoção no momento exato e não há mais problemas. O reggae é igual a qualquer outro tipo de música. É a mesma coisa que o jazz, com o mesmo feeling que o jazz. Às vezes, as palavras dizem mais respeito a determinados lugares, mas isso não impede outras pessoas e outros lugares de compreendê-las. A minha ligação a todas as coisas é a realidade. O deus de todas as relações é a realidade. Entendes?
- Que pensa dos outros músicos de reggae?
- Bem, penso que Jimmy Cliff é uma boa vedete de cinema. Mas pessoalmente não me sinto muito fascinado pelo seu gênero de reggae. Toosts? Tem um estilo de espirituais negros, uma coisa gênero africana, com invocações de espíritos e sobressaltos, sabe? Gosto imenso de ver Toots em atuação, mas... Eu gosto é de Roots Marley (literalmente, o Marley das origens). Eu creio em Roots Marley dez mil vezes. Estás a ver? Roots Marley merece todos os nomes com os quais o podemos qualificar. Não se trata de ser parcial já que ele também é Rasta, é porque ele diz a verdade, às pessoas. Vês? Fui eu que disse “natty dread” (o Dread rebelde) antes de Bob. Eles fazem como se tivesse sido Bob o primeiro a dizê-lo, mas na verdade fui eu. Sim Rasta! Eu gosto muito de Bob, mas adoro Big Youth!
- Porque é que lhe chamam o Gleaner humano?
- Bom, as minhas canções falam do respeito pelos direitos e pela verdade. Tento mostrar às pessoas que para viver em harmonia é necessário partilhar. Não há nenhuma diferença entre os homens. Com a nossa música, tentamos unir as pessoas de modo a que possam viver juntas. Acabaram-se as canções sobre raparigas.
- Como é que o reggae nasceu em Trench Town?
- Na Jamaica, nomundo, há raças e classes. Há pessoas que pensam que valem mais do que as outras, pensam que são as donas do mundo. Há aqueles que têm algum e há outros que não têm nada. Trench Town foi construída a partir de bairros de lata, sabia? Isso não significa que as pessoas que vêm de Trench Town não tenham educação. Elas são o grande povo da Jamaica. São pessoas obrigadas a enfrentar a realidade. Elas têm fome, elas sofrem. E é triste e inútil. Quero dizer, de que serve as pessoas caírem assim tão baixo? Alguns chegam ao ponto de nada terem, nem sequer para comer! Ras Clot! São essas pessoas que enfrentam a realidade. Há lugares como Jones Town, Rose Town e um outro, não muito longe daqui, que se chama Hose Town, que são na verdade lugares difíceis – um pouco como tribos, tribos de África; é de lá que vem o sentimento do reggae.
- Que se passa neste momento na Jamaica?
- Não só na Jamaica, meu velho, olhe a África. Olhe para o Vietnam. O que se passa aqui, é que há pessoas que não se podem permitir o luxo de enviar os seus filhos à escola. Isso torna alguns furiosos. Quando não se sabe ler, o estômago fica vazio e não conseguimos alcançar a paz de espírito, compreende? Não se pode viver sem se conspurcar (chupa os dentes violentamente). Ouça, Trench Town é igual ao que se passa em todo o mundo. A violência vem como as guerras tribais. Os jovens que já não podem suportar mais a inflação e a confusão matam-se uns aos outros. Dir-se-ia que é violência política, mas trata-se de outra coisa. O sistema de Trench Town amedronta as pessoas, mas agora elas começam a revoltar-se e a pensar nos seus direitos. É a profecia que se cumpre, compreende?
- Big Youth parece ser o chefe do culto motociclista de Kingston...
- Ah! Mas eu penso que a moto é perigosa! Um automóvel é perigoso mas uma moto ainda é mais perigosa. Só que na Jamaica nem todas as pessoas podem comprar carros e então as motos são preferidas (Big Youth enche cuidadosamente o seu chalice de ganja e um pouco de tabaco e exala uma grande nuvem, onde desaparece por um instante). O que é que eu estava a explicar-lhe?
- Falávamos de motos...
- Se alguém é Rasta e anda de moto, ninguém o leva a sério. É aí que intervém uma parte da minha revolução. O Dread que vê a verdade e os direitos, a realidade e a injustiça, é o cristão da época moderna. Ele é-o, antes de todas as religiões do mundo. Tudo o que os Rastas tentam fazer é contrariado pela Babilônia. A Babilônia é composta por pessoas más, ignorantes e doentes. Eu acho que devia ser livre mas se sou um Dread, não o posso ser! Esses Dreadlocks são as barras da minha prisão na Babilônia. Eles enviam pessoas para nos combater, policias doentes. O meu povo é a classe mais baixa e tudo o que quer é a verdade e o respeito dos direitos. Rasta sabe a verdade – os jovens são a geração que vê o Pai cara a cara. Esta geração não mais aceitará a lutar pelas suas idiotices. A Babilônia é uma sociedade construída sobre a escravatura e a segregação. O Papa Paulo VI é a cabeça da Babilônia, o símbolo do mal. Ele controla a Rainha e organiza a escravatura. Se eu o apanhasse, o Papa Paulo...
- Como vê o futuro do reggae?
- Bom o reggae está a tornar-se internacional. Se as pessoas bem colocadas se derem ao trabalho de ouvi-lo, o reggae tornar-se-á na nova música, não acha? Foi preciso bastante tempo até as pessoas compreenderem John Coltrane. A mesma coisa se passa com o reggae, compreende? Pode ser que lá cheguemos, desde que a promoção seja bem feita. Eu, Big Youth, estou pronto a fazer tournées e mostrar às pessoas o que sei fazer. Acho que a América está à espera disso mesmo. Quando o dia chegar, Big Youth fará explodir a América!...
quinta-feira, 18 de junho de 2009
BIG YOUTH(1ª Parte) -
O DJ mais em voga de momento é um Dreadlock consciencioso chamado Manley Buchanan, um antigo motorista de taxi, a que toda a gente chama Big Youth. Big Youth é o futuro do reggae, um som mais amplo, com mais guitarra baixo, uma bateria mais forte – na Jamaica é avant-garde. Big Youth é tão ouvido que lhe chamam o Gleaner humano (alusão a um jornal jamaicano, o Daily Gleaner), o que significa que, para um razoável número de jamaicanos, a única maneira de saber o que se passa no mundo é através da audição dos seus discos. Big Youth iniciou-se com uma canção sobre motos, Ace 90 Skank. Os seus discos singles sobre o combate final dos pesos pesados que se realizou em 1973, em Kingston, George Foreman e Foreman and Frazier, trouxeram-lhe um êxito bastante fácil, até porque o favorito jamaicano, Foreman, pôs Frazier K.O. (nocaute) sem dificuldades. House of Dreadlocks e Natty Cultural Dread estabeleceram Big Youth como o porta voz dos Rastas e até Bob Marley diz que Big Youth é o seu músico favorito. Durante a nossa estadia na Jamaica, o último disco de Big Youth, Hit the Road Jack (cujo refrão repete sem fim “What the world Needs Now” – O que o mundo precisa agora) era o número um em todos os hit-parades oficiais das discotecas, sendo também a única música de DJ a passar na rádio. Alguns adoram Big Youth, outros detestam-no. Ultimamente tem tentado alargar a sua experiência como DJ, gravando singles originais. Os primeiros números de venda são extremamente positivos e Big Youth está na crista da onda, sendo o mais extravagante e mais rebelde dos músicos de reggae de todos os tempos.
Big Youth vive num bairro pequeno-burguês de Kingston. O seu pátio está cheio de motos e Rastas que fumam e trocam a Boa Palavra. Pensando dar provas de inteligência e pontualidade à jamaicana, chegamos com uma hora de atraso ao encontro mas mais uma vez apercebemo-nos que calculamos mal. Big Youth só chegaria uma hora e meia mais tarde, ao pôr do sol. Durante todo esse tempo Rastas de feições duras entravam e saíam de moto. Era um dos seus quartéis-generais, tal como a casa de Bob Marley, só que os Dreads tinham aspecto mais jovem. Era uma outra geração. Big Youth chegou finalmente, exibindo os seus locks sobre o brilho dourado dos seus dentes, cobertos de coroas em forma de coração. Ele é novo e o seu bom-humor é comunicativo. Mandou-nos entrar para o seu escritório, para gravar a nossa conversa à luz duma lâmpada. Fotos de Hailé Sélassié nas paredes. Jornais de motos espalhados pelo chão. Fez-nos ouvir os demos de alguns singles: Ten Against One, Stand Up For Your Rights e Jim Screechee, que diz: “John Coltrane morreu na busca vã do Amor Supremo”. Depois mandou calar alguns Dreads barulhentos no pátio e começou a sua história.
- Eu nasci em Trench Town, no Jubilee Hospital. É lá que nasce a maior parte das crianças de Kingston. Direi, pois, que tive o privilégio de crescer em Trench Town e nos restantes ghettos. De qualquer modo, é uma só cidade. Eu era um grande apreciador de música, como aliás todas as pessoas com as quais eu cresci e que são aquelas que dizem sim à música. Não faltava a um baile e exercitava-me com o microfone sempre que podia. Cantava ou tagarelava; nos finais dos anos 60 chega um tipo chamado U Roy. E para mim, de qualquer modo, era uma fonte de inspiração. Adoro o que ele fazia e penso sempre que o posso igualar. Há um baile de que me recordo bem: tudo corre mal, a música não está ordenada, o bom DJ não aparece e eu obtenho o direito e privilégio de me exprimir e toda a gente passa uma boa noite. Pouco depois estava num estúdio para gravar uma canção: “Se tu vens de longe num automóvel ou autocarro, deverias fazer amor e não a guerra”. Desse disco, que não se vendeu quase nada, consegui vinte dólares. Na altura, nem sequer pensei que um dia mais tarde pudesse ter um pouco mais de sorte, mas de qualquer modo fiz outro single: Black Cinderela, a que chamavam Black Cindy. As minhas canções eram ótimas, e eu sabia-o, mas a sorte não estava do meu lado. Aqui, e você sabe-o, os artistas são vigarizados pelos produtores, todos eles sem exceção. Não há um cantor que esteja satisfeito com a maneira como o tratam. Bom, eu tinha feito Black Cindy e desejava ardentemente que o passassem na rádio. Fiz então um outro, Tell It Black, mas não foi com esse que o consegui. Mas no ghetto, onde eu vivia, as pessoas vinham às sessões e encorajavam-me; percebe o que eu quero dizer?
Então fiz mais um, When Revolution Come; era para Prince Buster. Foi o número um de todos os hit-parades, número um na JBCV, número um na RJR. Até esse dia, Prince Buster não me tinha pago um cêntimo sequer de direitos de autor. Encurralei-o contra a parede e então ele sacou uma arma. Se tu és Rasta ninguém te respeita. E ele diz que é muçulmano! Ras Clot...
O meu grande sucesso foi Ace Go Skank. Este também era sobre motos. “Se tu aceleras como um raio, vais-te espetar como um trovão...”. depois fiz Screaming Target, The Killer, Tea For Two, Rocking, Cool Breeze, Dock Of The Bay. Em certos momentos tive cinco canções no Top Ten.
A única vedeta de todo esse período fui eu. Dennis Brown era o único que me poderia acompanhar. Mas toda essa glória e todos esses simpáticos produtores não me trouxeram um tostão. Houve discos que me celebrizaram na Inglaterra, onde nunca estive. Mas não lutei pelo dinheiro (inspira por entre os dentes, mostrando um semblante zangado). Esses produtores não se fingem de ladrões, são ladrões! Violam-nos e roubam-nos. Não há nenhum que se aproveite.
O resultado são pessoas como eu, que acabam por produzir os seus próprios discos. Eu consigo fazê-lo porque tenho impacto junto do público. Compreende? Cada concerto que Big Youth dá – Blood Clot! Big Youth tem os seus fiéis. (Extraído do livro Reggae Bloodlines, de Stephen Davis & Peter Simon, publicado nos EUA em 1977)
"Tudo está entrelaçado, como o sangue que une uma família. Tudo está entrelaçado. Tudo que ocorrer a Terra ocorrerá aos filhos da Terra. O homem não teceu a trama da vida; ele é apenas um fio. O que faz com a trama, faz consigo mesmo." Chefe Seatle, 1854.